FILMar: Visita ao Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM)

É no Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM) que está sedeado o laboratório FILMar, responsável pela digitalização de filmes relacionados com o mar que se encontram em depósito e à guarda da Cinemateca, que é também Museu do Cinema. Os participantes farão uma visita ao coração desta operação, desvendando os processos através dos quais se recuperam a memória e a história do cinema português, no qual o mar é, desde 1896, uma presença regular. A visita inclui a exibição de alguns exemplos de documentários de propaganda política, industrial e turística produzidos durante o Estado Novo, abrindo um debate sobre a preservação e o acesso ao acervo de imagens coloniais, onde o mar tem uma presença relevante. Com a investigadora Maria do Carmo Piçarra, serão também pensadas as questões e potencialidades relacionadas com o seu estudo e uso para fins artísticos, de pesquisa ou de programação. A visita terminará com um almoço nas instalações do ANIM.

Lotação: 40 participantes
Esgotado

Partida da Culturgest às 10.00 e chegada ao mesmo local às 15.00

Durante o Estado Novo, o mar teve um papel fundamental na constituição de uma ideia de império colonial. A sua representação pelo cinema é uma das mais complexas leituras de uma história das imagens em movimento, onde o que fica fora de campo é, muitas vezes, revelador do tanto que se procurava impor, afirmar ou denunciar. O Doclisboa e o projeto FILMar juntam-se para um programa em torno dessas representações, pensando nos modos de programação e contextualização necessários para a inscrição destes filmes no discurso contemporâneo.

FILMar é um projecto operacionalizado pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, integrado no Mecanismo Financeiro de Apoio EEA Grants 2020-2024.

Filmes exibidos

São Tomé Agrícola e Industrial

Documentário sobre o trabalho quotidiano agrícola e industrial na Ilha de São Tomé.

Augusto Seara • 1929 • Portugal • 12’

Indústria da Pesca no Sul de Angola

Material filmado em 1928 no decurso da Missão Cinematográfica a Angola.

Agência Geral do Ultramar • 1930 • Portugal • 11’

Gentes que nós civilizámos

Quando este filme foi lançado, o Governo português estava prestes a criar uma agência oficial para substituir a Sociedade de Geografia de Lisboa. O filme mostra como a política oficial redefiniu a questão colonial e o papel preponderante da Igreja nesta acção.

António Lopes Ribeiro • 1944 • Portugal • 18’

No Extremo Oriente Português

“Aspectos da vida rural, da pesca, da zona turística de Baucau, do artesanato em tartaruga ou prata. Combates de galos e dança loro sae mostrados enquanto o comentário alude aos ‘dóceis portugueses de Timor’, sustentando que a dança ‘é só folclore’.” Maria do Carmo Piçarra

Miguel Spiguel • 1960 • Portugal • 13’

Os Pescadores de Amangau/Macau

Aspectos típicos e característicos do núcleo piscatório de Amangau, que vive quotidianamente nas suas embarcações, no porto de Macau.

Miguel Spiguel • 1958 • Portugal • 15’

Caminhos para a Angústia

Filme de estreia do realizador Faria de Almeida, produzido na Escola de Técnica Cinematográfica de Londres e influenciado pelo Free Cinema. Um jovem negro, exilado político, revive memórias de um massacre na África do Sul enquanto deambula pelas ruas.

Manuel Faria de Almeida, Graham Parker • 1963 • Portugal • 8’