Guerrilha no Asfalto, de Edgar Pêra, será o filme de abertura da 24ª edição do Doclisboa, que decorre de 15 a 25 de Outubro. Partindo do livro homónimo de Manuel Ricardo Sousa, o realizador cruza os relatos de um antigo operacional das FP-25 com as suas próprias memórias dos anos 1980, entre arquivos, ficção e inteligência artificial.
Antecipando o anúncio da Competição Portuguesa, o Doclisboa revela ainda novos títulos de produção portuguesa das secções Da Terra à Lua e Heart Beat, atravessando a história, a música, a literatura, o pensamento e a memória.

Em Da Terra à Lua, Amílcar, de Miguel Eek, aproxima-se de Amílcar Cabral através dos seus escritos, cartas e arquivos; Casa do Artista — Não é Permitido Envelhecer, de Solveig Nordlund, entra no quotidiano da Casa do Artista; e O Nosso Último Filme sobre Lisboa, do colectivo Left Hand Rotation, interroga as marcas das lutas vividas na cidade e a possibilidade de imaginar uma outra Lisboa.
A secção apresenta ainda Nosso Segredo, de Grace Passô, co-produção luso-brasileira sobre uma família atravessada pelo luto; Vestígios, de Luís Mendonça, que cruza fotografias de especialistas da Polícia Judiciária com uma investigação em torno de um film noir esquecido; e Ala-Arriba!, de José Leitão de Barros, apresentado numa nova cópia digitalizada e restaurada pela Cinemateca Portuguesa no ano em que se celebra o 130.º aniversário do realizador.

No Heart Beat, a música ocupa um lugar central em Esta Vida de Marinheiro, de Paulo Miguel Antunes, sobre o percurso de João Aguardela; Nha Balila – Dentu d’Algem, de Inês T. Alves e André Xina, que acompanha a lenda viva do Batuku Nha Balila; e Neste Quarto, de Ana Rocha de Sousa, que parte do fado e da voz de Carminho para uma viagem através do Japão.
A literatura e a filosofia atravessam O Filme do Meio, de Margarida Gil, com Maria Velho da Costa, Armando Silva Carvalho, Luísa Costa Gomes e Fernando Cabral Martins; Carta a José Bragança de Miranda, de Edmundo Cordeiro, retrato do filósofo entre o pensamento, a memória e a infância; e Carta a Uma Jovem Escritora, de Marta Pessoa, que recupera cinco escritoras portuguesas injustamente esquecidas: Olga Gonçalves, Graça Pina de Morais, Maria Cecília Correia, Alice Sampaio e Maria Amélia Neto.