Nebulae apresenta os projectos seleccionados para a 24.ª edição do Doclisboa

Foto de Eduardo Martins

De 15 a 25 de Outubro, o Doclisboa regressa para a sua 24.ª edição e, com ele, o Nebulae, espaço de indústria do festival que volta a reunir em Lisboa projectos autorais de cinema de não-ficção em desenvolvimento. Através de apresentações de projectos, laboratórios de criação, residências, encontros profissionais e debates, o Nebulae afirma-se como um espaço de encontro, criação e reflexão dedicado ao cinema contemporâneo.

Com programação entre 18 e 25 de Outubro, o Nebulae reúne cineastas, produtores, críticos e programadores internacionais em torno de projectos de Portugal, da Grécia e da Ibero-América, criando oportunidades para o desenvolvimento e apresentação de novos trabalhos, mas também para a construção de redes e futuras colaborações. Nesta edição, o programa reforça ainda a sua dimensão internacional ao receber a Grécia como País Convidado, aprofundando as relações entre diferentes comunidades cinematográficas e profissionais.

A programação desenvolve-se em torno da Mostra de Projectos Portugueses, dedicada à apresentação de novos trabalhos da produção nacional; do Arché – Espaço de Pensamento e Desenvolvimento Criativo, que acompanha projectos oriundos da Ibero-América, de Portugal e de Espanha; e do RAW – Residências Arché→Work, dirigido a filmes em fase de montagem. A estes programas junta-se a participação da Grécia como País Convidado, com uma presença especialmente dedicada à cinematografia e ao sector profissional do país.

As acreditações para o Nebulae 2026 já estão disponíveis e podem ser solicitadas através da plataforma do festival: acreditações Doclisboa 2026.

Grécia, País Convidado do Nebulae 2026

“The Empire”, de Dimitra Babadima (Good Attitude & Indigo View, Grécia)

No âmbito da participação da Grécia como País Convidado, em parceria com o Hellenic Film and Audiovisual Center e com o apoio da Embaixada da Grécia em Lisboa, seis projectos gregos chegam ao Doclisboa em diferentes fases de desenvolvimento. Esta presença oferece novas perspectivas, linguagens e formas de pensar o cinema do real produzido na Grécia, aproximando os seus autores da comunidade profissional presente em Lisboa durante o festival.

Do programa fazem parte 4 p.m. to 5 p.m., de Yorgos Teltzidis; Echoes of the Ancestors, de Andreas Siadimas; K., de Panagiotis Papatragkos; My Grandma’s Sister, de Eleni Kavouki; Searching for Thule, de Yannis Karpouzis; e The Empire, de Dimitra Babadima.

Arché chega à 12.ª edição com nove projectos de seis países

11.ª edição Arché, 2025 (Foto de Cláudia Cordova Zignago)

Nove projectos de seis países integram a 12.ª edição do Arché – Espaço de Pensamento e Desenvolvimento Criativo, que decorre de 18 a 25 de Outubro, também no âmbito do Nebulae.

Com o apoio do Programa Ibermedia, o Arché propõe um programa intensivo de desenvolvimento, com oficinas, sessões de apresentação e encontros individuais com profissionais do sector. Ao longo destes dias, os participantes têm a oportunidade de aprofundar os seus projectos, confrontar diferentes perspectivas e explorar novos caminhos para a sua concretização.

Nesta edição, o acompanhamento dos projectos fica a cargo de Andrés Duque, Ivette Liang e Mariana Gaivão, que partilham a sua experiência e o seu olhar ao longo de todo o processo.

A selecção deste ano é composta por Now what?, de Carles Bixquert (Espanha); The Best Virgin, de Miguel Ángel Fajardo (Colômbia); Atlas of Natural Spectra, de Franco Palazzo e Ile Dell’Unti (Argentina); Na Boca do Sol, de Leonardo Amaral (Brasil); Rosa Brilhante, de Lucila Podestá (Argentina); Choosing to be a landscape, de Mercedes Moncada (Espanha); À Beira ou Cartas da Linha de Água, de Renata Sancho (Portugal); The man who seeks, de Santiago Sein (Argentina); e I, the Queen, de Tae Catalina Low (Colômbia/México).

O Arché conta também com o apoio do ICA — Instituto do Cinema e do Audiovisual / Ministério da Cultura.

Programa RAW: cinco projectos entre criação, investigação e crítica

7.ª edição do RAW – Residências Arché→Work, 2025 (Foto de Syed Farish)

A 8.ª edição do Raw Residências ArchéWork reúne cinco novos projectos de cinco países ibero-americanos. O programa acompanha cineastas com longas-metragens em diferentes fases de desenvolvimento, da escrita à montagem, e projectos críticos com propostas dedicadas ao cinema de não-ficção.

Resultado da colaboração entre o Arché, laboratório de desenvolvimento da Apordoc no Doclisboa, e o MÁRGENES//Work, do Festival Márgenes, o RAW propõe um percurso de residência entre Portugal e Espanha, no qual os três projectos de criação e os dois de crítica desenvolvem o seu trabalho com o acompanhamento de Luís Miguel Oliveira, Pablo Marín e Pedro Filipe Marques, integrando também o seminário Doc’s Kingdom, em Odemira, antes de encerrarem o percurso no programa MÁRGENES//Work, em Madrid.

Este ano, foram seleccionados Metamorphosis of the Same: The Mirror of Water, de Diego Acosta Hernández (Chile); Exóticas, de Mariana Castiñeiras (Uruguai, Chile); Domitor and The Tale of Fire (Film about memory 2), de Salomon Perez (Peru); Vibrar conforme a síncope do objeto, segundo Arthur Omar, de Helena Elias (Brasil); e Notes for a Music Documentary: Non-representational Forms, de Nicolás Martín Ruiz (Espanha).

Ao contrapor propostas cinematográficas e críticas, o RAW amplia a noção de desenvolvimento para além das etapas convencionais de produção de um filme, abrindo campo à investigação, à escrita, à experimentação formal e à reflexão sobre as possibilidades do cinema do real.

O RAW conta com o apoio do Programa Ibermedia.

Projectos em montagem na Mostra de Projectos Portugueses

“Nha Terra Nha Força”, de Paulo Carneiro (Kintop & Bam Bam Cinema, Portugal)

A Mostra de Projectos Portugueses Nebulae procura reforçar a visibilidade do cinema português no mercado internacional, apresentando projectos em fase de desenvolvimento a profissionais da indústria e convidados internacionais, promovendo novas oportunidades de co-produção e distribuição.

Em 2026, foram seleccionados cinco projectos: Borralha – As Pedras que os Dias Levam, de Vasco Monteiro, produzido pela Madame Filmes, olha para o futuro de uma comunidade mineira do norte de Portugal perante a possível retoma da extracção de volfrâmio; When Night Falls, de Greta Ilia Cavaliere e Simona Cella, produzido pela Cidades Irrequietas Filmes, segue cinco jovens ítalo-senegalesas pelo Senegal, numa viagem em busca das suas raízes durante os protestos de 2023; e Nha Terra Nha Força, de Paulo Carneiro, produzido pela Kintop e pela Bam Bam Cinema, em coprodução com a La Pobladora Cine e Providences, centra-se nos jovens que permaneceram junto ao vulcão da ilha do Fogo e reconstruíram a aldeia depois de esta ter sido sepultada pela lava. A selecção inclui ainda Sussurros: Uma História de Cinema Português, de Érica Pereira Nascimento, produzido pela David & Golias, que recupera arquivos inéditos e o percurso de sete realizadoras pioneiras que reinventaram o cinema português no contexto de liberdade aberto pela Revolução de 1974; e A Minha Mãe Nunca me Ensinou a Cozinhar, de Sofia Pinto Coelho, produzido pela Blablabla Media, um retrato íntimo de três gerações de mulheres — avó, filha e neta — que cruzam as suas vivências, inquietações e expectativas sobre o passado e o futuro.

A Mostra de Projectos Portugueses conta com o apoio da Portugal Film Commission.

Projectos convidados Nebulae 2026

Dois dos projectos seleccionados para o Nebulae chegam a Lisboa através do Programa de Residências Joaquim Jordà 2026, são End of the Present, da cineasta Andrea Bussmann, e Hôtel Homère, de Parastoo Anoushahpour, Faraz Anoushahpour e Ryan Ferko. A estes junta-se Transformation Stories from Akbelen Forest, de Selen Çatalyürekli, produzido por Zeyneb Gültekin (Nar Film, Turquia), que participa no Nebulae no âmbito da parceria com o Slow Pitch – ZagrebDox Pro 2026. O projecto acompanha cinco mulheres na defesa da Floresta de Akbelen perante a expansão de uma mina de carvão, abordando, a partir de uma perspectiva ecofeminista, a transformação pessoal gerada pela resistência e a possibilidade de imaginar futuros regenerativos para além da extracção.

Júri e Prémios Nebulae 2026

A avaliação dos projectos estará a cargo de um júri internacional composto pela realizadora, argumentista e produtora portuguesa Leonor Noivo, co-fundadora da Terratreme Filmes, cujo trabalho se desenvolve entre a realização e o acompanhamento de projectos de ficção e documentário; por Tyler Wilson, programador e crítico de cinema norte-americano, com um percurso ligado ao Film at Lincolnx Center e ao New York Film Festival; e pelo cineasta filipino John Torres, uma das vozes singulares do cinema independente do seu país, cuja obra cruza frequentemente memória, experiência pessoal e formas experimentais de narrativa.

O apoio aos projectos estende-se para além do seu acompanhamento durante o Nebulae, com a atribuição de um conjunto de prémios por parceiros nacionais e internacionais. Estes incluem apoios financeiros, residências artísticas, serviços de pós-produção, estratégias de distribuição e oportunidades de circulação em plataformas internacionais. Entre os parceiros desta edição encontram-se a RTP, a Universidade Católica Portuguesa – Escola das Artes, a DMIX Collective, a UPF Barcelona School of Management, a DAFilms, a Documentary Association of Europe, o ZagrebDoxPro e a Agencia Freak.

Outras actividades do Nebulae

Para além dos programas de desenvolvimento e apresentação de projectos, o Nebulae volta a propor um conjunto de encontros dedicados à reflexão e à partilha de práticas em torno do cinema contemporâneo. As Constelações, ciclo de conversas e debates aberto ao público, reúnem cineastas, críticos e profissionais do sector em torno de questões que atravessam tanto os filmes e programas do Doclisboa como os modos de criação, produção e circulação do cinema. Ao longo do festival, mesas-redondas, conversas e encontros profissionais alargam este espaço de pensamento e intercâmbio, aproximando diferentes experiências e perspectivas sobre os desafios que marcam o cinema do real na actualidade. A programação inclui ainda o Seminário de Realização, desenvolvido em parceria com o UnionDocs Center for Documentary Art (UNDO), um programa intensivo que combina visionamentos, debates e encontros com cineastas convidados, proporcionando um espaço de trabalho e reflexão em torno das práticas do cinema documental.

 

Subscreve a nossa newsletter

Fique a par de todas as novidades do festival, junte-se à nossa newsletter.

Feito! Enviamos-lhe um e-mail.
Uh-oh! Alguma coisa não funcionou. Tente novamente.