Bona

Lino Brocka

Quiapo, festa do Nazareno Negro, a maior procissão das Filipinas: milhares de pessoas descalças precipitam-se para um Cristo de madeira que não responde. Corte para o rosto absorto de uma rapariga a observar um duplo secundário. O ídolo mudou, a adoração não. Ela sai de casa para o servir: cozinhar, lavar a roupa, trazer e aquecer a água do banho dele. Nora Aunor – a super-estrela mais baixa e de pele mais escura do cinema filipino, o primeiro ídolo com o rosto do público – produziu o filme para interpretar a criada. Os seus olhos famosos nunca param de pensar. A idolatria é uma indústria nacional: actores, políticos, santos.

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