Bona
Quiapo, festa do Nazareno Negro, a maior procissão das Filipinas: milhares de pessoas descalças precipitam-se para um Cristo de madeira que não responde. Corte para outro rosto absorto: uma rapariga a observar um duplo secundário. O ídolo mudou, a adoração não. Ela sai de casa para o servir: cozinhar, lavar a roupa, trazer e aquecer a água do banho dele. Nora Aunor – a super-estrela mais baixa e de pele mais escura do cinema filipino, o primeiro ídolo com o rosto do público – produziu o filme para interpretar a criada. Os seus olhos famosos nunca param de pensar. A idolatria é uma indústria nacional. Actores e políticos são venerados como santos.
Restaurado em 4K pela Kani Releasing e pela Carlotta Films, a partir dos negativos originais de imagem e som em 35 mm, no laboratório Cité de Mémoire, em Paris, com tratamento de áudio realizado pela L.E. Diapason.