Entrevista a Isabel Pagliai

Isabel Pagliai, realizadora do filme Fantasy que venceu o Prémio Médicos Sem Fronteiras – Portugal para Melhor Realização da Competição Internacional na edição de 2025 do Doclisboa, fala-nos um pouco de como foi a sua experiência no festival e do processo de fazer este filme.

Segue abaixo a entrevista que fizemos em Novembro:

1. Em primeiro lugar, parabéns por vencer o Prémio Médicos Sem Fronteiras – Portugal para Melhor Realização na Competição Internacional. O que significa este reconhecimento para si nesta fase da carreira? O foco deste prémio está em sintonia com as intenções por trás de Fantasy?
Não sei exatamente qual é o objectivo deste prémio, mas uma coisa é certa: estou muito feliz por tê-lo recebido! Como é um prémio que não se foca apenas no filme, mas também na visão do realizador, quero acreditar que é uma espécie de convite para continuar a seguir o caminho cinematográfico que estou a tentar traçar. Isso deixa-me muito emociona.

2. Como foi a experiência no Doclisboa, tanto como cineasta como convidada em Lisboa?
Já estive em Portugal com os meus filmes, mas esta é a primeira vez que estou no Doclisboa. Fiquei muito contente por conhecer a equipa do festival e senti que havia uma grande consistência, tanto como espectadora como realizador. É um festival acolhedor, animado e com uma programação muito perspicaz.

3. Qual foi a abordagem a este filme como realizadora e como foi navegar pela delicada fronteira entre realidade, representação e imaginação?
Para mim, estas três dimensões estão completamente interligadas. São diferentes camadas de trabalho, mas estão entrelaçadas.
O filme começa com um encontro. Eu tenho o desejo de compreender profundamente Louise, ou seja, conhecer a sua realidade, mas também compreender a sua imaginação. E é precisamente tudo isto que determina a trajectória do filme: tentar capturar o seu mundo interior de uma forma visual, ao mesmo tempo que lhe proporciono um encontro mais real do que a realidade, através do que chamo de sonho documental.

A realidade é a realidade do que vi nela, o seu desespero. O facto de ela estar num ponto da sua vida em que não consegue avançar e seguir em frente. Ela tinha uma relação depressiva com o mundo e eu diria que a performance está na sua escrita e na forma como ela recita os seus textos. Isso exigiu apoio e um período de maturação que foi muito além das filmagens, envolvendo vários momentos de edição. A imaginação é o que estou gradualmente a compreender sobre o mundo dela: a sua relação com a água, o toque, os animais… São coisas que já parecem ficcionadas, devido à forma como as filmo, do jogo de luz à plasticidade das imagens. Todas estas coisas, são o que me permite imaginar a parte do sonho na floresta.

O importante era levar Louise para outro lugar, conseguir movê-la. E, para isso, tenho várias ferramentas à minha disposição, que se combinam nas diferentes etapas do trabalho. A realidade e a condição de Louise são o que trazemos de volta através do material documental, e depois reajustamos e integramos na edição de uma forma mais ficcional. O filme é o resultado dessa interacção, dessa reconstituição da realidade, que envolve uma reinvenção, ou melhor, uma reapropriação das filmagens. Mas, em última análise, o objectivo deste trabalho é alcançar uma forma de precisão. Como diria Jacques Nolot, «tem de soar verdadeiro».

Agradecemos à Isabel Pagliai e aos Médicos Sem Fronteiras Portugal pelo trabalho que desempenham e pelo seu apoio a este prémio.

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