As Artes no Doclisboa 2026: da dança à literatura e à música
Da dança contemporânea à música, da literatura ao teatro, o Doclisboa 2026 apresenta um conjunto de filmes que exploram diferentes formas de criação artística. Entre retratos de artistas, processos criativos e obras que marcaram a história da cultura, a 24.ª edição do festival, que decorre de 15 a 25 de Outubro, propõe novos encontros entre o cinema e as outras artes.
A dança no Doclisboa

The Voice of Orpheus (2026)
Em In-I In Motion, Juliette Binoche estreia-se na realização, regressando à colaboração com o bailarino e coreógrafo Akram Khan. Em 2007, os dois criaram In-I, um espectáculo desenvolvido ao longo de seis meses e apresentado uma centena de vezes em todo o mundo. A partir de imagens inéditas, Binoche revisita esta experiência e reflecte sobre os riscos e as transformações que acompanham a criação artística.
Já The Voice of Orpheus, de Arnold Pasquier, acompanha a reposição de Orfeu e Eurídice, de Pina Bausch, quase três décadas depois. Em Wuppertal, dois bailarinos aprendem a peça sob a direcção de Dominique Mercy, intérprete original do papel de Orfeu em 1975, num processo de transmissão de uma das obras fundamentais da dança contemporânea.
A música no grande ecrã

Esta Vida de Marinheiro (2026)
Em Kurtág Fragments, Dénes Nagy acompanha o compositor húngaro György Kurtág, que celebra 100 anos em 2026, numa viagem pelos lugares que marcaram a sua vida e pelo seu trabalho com músicos como Víkingur Ólafsson e Pierre-Laurent Aimard.
A música para cinema é revisitada em Nino – A Film About Nino Rota, de Walter Fasano. Narrado por Sting, o filme percorre a vida e a obra do compositor italiano, autor de cerca de 150 bandas sonoras, incluindo as suas célebres colaborações com Fellini, Visconti e Coppola.
Em Elza, Eryk Rocha constrói um retrato de Elza Soares a partir da própria voz da cantora brasileira, reunindo memórias, desejos e reflexões num diálogo entre a música e a história do cinema brasileiro. A música portuguesa está representada em Esta Vida de Marinheiro, de Paulo Miguel Antunes, que recupera o percurso de João Aguardela através de imagens de arquivo, filmes pessoais, concertos e testemunhos de familiares e amigos.
A programação inclui ainda Once Upon a Time in Harlem, de David Greaves, que recupera um encontro histórico de figuras da cultura afro-americana, e Viva Carmen, de Sébastien Laudenbach.
A literatura encontra o cinema

Siri Hustvedt – Dance Around the Self
A literatura ocupa também um lugar importante na programação. Siri Hustvedt – Dance Around the Self, de Sabine Lidl, acompanha o percurso pessoal e literário da escritora norte-americana, desde a sua chegada a Nova Iorque até à afirmação como uma das vozes mais importantes da literatura contemporânea, passando pela relação de mais de quatro décadas com Paul Auster.
Em O Filme do Meio, Margarida Gil filma Maria Velho da Costa e Armando Silva Carvalho durante quatro dias, enquanto revêem as provas de O Livro do Meio, escrito a quatro mãos. Já Carta a Uma Jovem Escritora, de Marta Pessoa, parte da redescoberta de cinco escritoras portuguesas — Olga Gonçalves, Maria Cecília Correia, Alice Sampaio, Graça Pina de Morais e Maria Amélia Neto — para questionar os mecanismos que conduziram ao esquecimento de tantas vozes femininas.
Em Life of Jorge Luis Borges, Mariano Llinás propõe uma biografia do escritor argentino a partir dos documentos que deixou, dos livros que leu e dos lugares por onde passou. Com mais de cinco horas de duração, o filme procura decifrar uma vida inteiramente dedicada à literatura.
A programação apresenta ainda Knife: The Attempted Murder of Salman Rushdie, de Alex Gibney, sobre o escritor e o atentado de que foi vítima em 2022.
A vida dedicada às artes do espectáculo

Casa do Artista — Não é Permitido Envelhecer (2026)
Em Casa do Artista – Não é Permitido Envelhecer, Solveig Nordlund observa o quotidiano dos residentes da Casa do Artista, entre canções, memórias e a permanência de uma vida dedicada às artes do espectáculo. Um retrato que cruza a vitalidade artística com as dificuldades do envelhecimento.
Entre a dança, a música e a literatura , o Doclisboa 2026 apresenta diferentes olhares sobre os artistas e as suas obras, os processos de criação e as relações entre as várias linguagens artísticas.
O Doclisboa decorre até 25 de Outubro, na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa e Cinema Ideal. Consulte o programa completo e descubra todas as sessões.