28–05–2020

Doclisboa – Novidades sobre a 18ª edição

Vivemos tempos complexos e incertos que colocam uma série de desafios a quem faz, a quem mostra e a quem vê cinema. Temos trabalhado para que a 18ª edição do Doclisboa responda a estes desafios com novas maneiras de estarmos juntos e de cuidarmos uns dos outros. O Doclisboa é um lugar de encontros em torno do cinema e é na sala de cinema que queremos continuar colectivamente a indagar o mundo. Propomo-nos a construir um festival que responda aos tempos mas que preserve o nosso modo de estar: o da partilha, o do questionamento, o de ver e pensar com o outro. Nesta edição excepcional, o festival abre-se a um novo formato e explorará a sua programação em seis momentos, entre Outubro 2020 e Março 2021.

De 22 de Outubro a 1 de Novembro, terá lugar o primeiro momento do festival. De Novembro a Março, será apresentada programação uma semana por mês, nas salas habituais. Esta edição não será estruturada pelas secções e competições usuais mas manterá a pluralidade de olhares, linguagens e modos de pensar em cada momento. A programação será acompanhada por um maior número de debates e conversas, em que exploraremos as possibilidades e questões lançadas pelos filmes.

O olhar atento que o Doclisboa tem recebido nos últimos anos por todos os que nos visitam é de enorme importância para os filmes que apresentamos. Programadores, distribuidores, exibidores encontram aqui filmes que levarão para outras possibilidades de exibição. O recém-lançado Nebulae, agregador de todas as nossas actividades dedicadas à indústria é um espaço fundamental para potenciar a circulação de filmes. Este ano, não podendo garantir a presença física de participantes que alimentem uma pluralidade territorial significativa, iremos adaptar as actividades de indústria recorrendo a plataformas digitais. Estamos desde já a trabalhar para que estas ferramentas potenciem as possibilidades do Nebulae enquanto espaço de encontro e desenvolvimento criativo, tanto a nível de actividades como de participantes. O nosso compromisso com os filmes que mostramos mantém-se: que o Doclisboa seja um encontro com o público, mas também um encontro com todos os que possam levar os filmes para outras salas e outros públicos.

A situação actual torna ainda mais evidentes as dificuldades e desafios de fazer e mostrar cinema em Portugal. A par de todas as restrições, deparamo-nos com uma política cultural e laboral insuficiente que não respeita condignamente os profissionais do sector. A nossa solidariedade é total e reiteramos que os filmes portugueses que exibiremos este ano no festival serão por si só, pelo facto de terem sido feitos, um acto de resistência.

De resistência é também o acto de ir ao cinema. Concebemos o cinema como uma arte de experiência colectiva. Alongando no tempo a apresentação de programação nas várias salas de Lisboa, esperamos contribuir para a reconstrução de um gesto que junta quem vê a quem faz.

Até ao dia 30 de Junho, as inscrições mantêm-se abertas e consideraremos atentamente os filmes que nos chegam. Agradecemos a todos os realizadores e produtores que se juntam ao nosso entusiasmo perante a edição que se avizinha. Agradecemos a todos os parceiros que connosco preparam os 18 anos do Doclisboa. Em breve, começaremos a anunciar mais detalhes sobre a programação para uma edição em que, não só em Outubro mas até Março, o mundo inteiro caberá em Lisboa!

Joana Gusmão, Joana Sousa, Miguel Ribeiro

 

As inscrições para o festival ainda estão abertas – mais informações: https://bit.ly/3eoDZWj

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